segunda-feira, 22 de julho de 2013

Solano Portela: "A Igreja perdeu a visão teológica da educação integral das pessoas"




A pouco mais de 200 dias da abertura da 16ª Consciência Cristã, a equipe da VINACC já está no aquecimento para a realização do evento. Por isso, realizamos uma série de entrevistas exclusivas com alguns dos preletores já confirmados no evento. Além de Paul Washer, outro entrevistado foi o presbítero e professor Solano Portela, que participará da Consciência Cristã pela primeira vez. Solano é Mestre em Teologia pelo Biblical Theological Seminary em Hatfield (EUA), e faz parte do conselho editorial da Editora Cultura Cristã, além de ministrar módulos, como professor convidado, na Universidade Presbiteriana Mackenzie e no Instituto Andrew Jumper. Em sua entrevista, Solano falou sobre o Brasil e sobre a Igreja Brasileira, abordando temas como educação, família, moral e ética cristãs.

Confira agora a primeira parte da entrevista exclusiva com Solano Portela!

1- Sabemos que o Brasil passa por uma crise na educação, que, na verdade, se arrasta há vários anos, desde muito antes da própria regulamentação do ensino, na década de 60. A tentativa para "solucionar" o problema tem sido, cada vez mais, a centralização da educação nas mãos do Estado, relegando à família e à instituições (como a Igreja) papel secundário e de pouca relevância. Enquanto educador e cristão, o senhor acha que a participação da família e da Igreja (em nosso caso, a evangélica) na educação de nossos jovens e crianças pode contribuir para a solução dessa crise?

SP: Em minha concepção, a igreja perdeu um pouco a visão teológica da educação integral das pessoas. Foi em ambiente eclesiástico que floresceram as primeiras Universidades. A educação rabínica envolvia não somente a educação religiosa, mas a educação nas letras, matemática, e outras habilidades. Biblicamente falando, a responsabilidade de educar pertence aos pais (Dt. 6), que deveriam instruir as crianças sobre os feitos e atos de Deus, na Criação, mas também sobre a própria criação e, em uma sociedade agrícola, nas tarefas realizadas pelo pai e demais membros da família. A orientação de Lutero (1483-1546) foi seguida nas igrejas Luteranas, que se caracterizaram pelo incentivo à existência de escolas paroquiais ao lado de cada uma. Calvino (1509-1564) fundou a academia de Genebra, para instrução nas letras, ciências, artes. Comênio (1592-1670) escreveu sobre a educação escolar, firmada em princípios didáticos encontrados na Palavra de Deus. A escola moderna é apenas uma extensão dessa delegação recebida dos pais, na tarefa do “bem educar”, mas o ensino se secularizou e tanto as famílias como as escolas se contentaram em receber e apresentar uma versão horizontalizada da educação, na qual o Criador está conspicuamente ausente. Cabe à Educação Escolar Cristã, resgatar esse território cedido ao inimigo. Longe de querer adentrar a esfera da igreja, que complementa a educação religiosa, que deveria ter o seu gênese e eixo no seio do lar, a escola verdadeiramente cristã verá a sua missão em sua própria esfera, como uma delegação recebida dos pais. Essa delegação se traduz no ministrar todas as áreas de conhecimento – com excelência e competência – no contexto de que Deus existe; é a fonte de todo o conhecimento; dá sentido à compreensão de nós mesmos, dos nossos semelhantes e do universo; e se comunica conosco na pessoa do seu Filho Jesus – Deus conosco, pela ação do Espírito Santo que chama através dos séculos às pessoas ao arrependimento e a uma vida responsável e cidadã. No momento em que as escolas cristãs entenderem e praticarem a sua missão, farão grande diferença à nossa sociedade e levarão muitos a exclamar: “Certamente, este grande povo é gente sábia e inteligente” (Dt 4.6).


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